
O tempo era curto, muito curto para ele. As horas se passavam tão rápido que parecia que fugiam propositalmente dos interesses daquele homem, como baratas que se escondem ao ligar das luzes. Era como se o tempo simplesmente tivesse sido criado para afastar o homem de tudo aquilo que ele mais desejava, pois era assim que ele se sentia naquele momento de sua vida. O tempo para aquele homem era o maior inimigo de todos os anseios que ele poderia vir a possuír, e nada podia fazer contra essa poderosa força, que parecia ganhar personalidade dentro da mente daquele homem, uma personalidade cruel e vaidosa. E dessa forma, o homem se via fraco diante do tempo, e o que sobrava para ele era simplesmente odiar aquilo tudo, odiar e sucumbir diante dos desejos de criatura tão vil.
Engraçado como o tempo brincava com aquele homem, que por muitos anos simplesmente vivia perdido, sem destino, sem nada que o guiasse em uma direção ou objetivo maior, sem algo que indicasse o caminho para a sua felicidade. E ele, simplesmente sofria as dores de uma vida vazia, solitária e fria. E justamente nessa época, o tempo fazia com que sua dor fosse maior, cada dia maior, a maior de todas as dores do mundo, e essa se arrastava por toda sua alma, levando aquele homem ao desespero completo. Graças a vontade impetuosa desse tempo, ess dor durava o tempo mais longo que podia existir no mundo, e assim, ele vivia. E esse tempo, esse longo tempo, fazia com que essa dor penetrasse em todos os cantos existentes daquele homem, dilacerando-o como uma fera faz com suas presas abatida. Sim, aquele foi o tempo em que o ar era estagnado, a maré estava morta, a lua não brilhava e o sol não mais oferecia o calor que tanto nos afaga. A vida simplesmente deixava de fluir e a esperança era algo distante na memória daquele homem. O tempo simplesmente parou naquela época, de tal forma que ele não conseguia andar por ele, não podia ir ao passado para resgatar as memórias e lembranças que tanto lhe eram caras, nem tão pouco ir para o futuro, onde a esperança residia. Não existiam os anos, nem meses, semanas, dias, e muito menos as horas e minutos. O tempo, simplesmente não andava. Permanecia parado, e assim, fazia com que a dor daquele homem se tornasse eterna.
Mas logo a vida veio lhe ensinar que nada pode ser eterno, a não ser o tempo, essa força misteriosa que, sem que aquele homem pudesse explicar, agia contra a sua vontade e felicidade. Sim, ele teve essa certeza quando conseguiu mudar sua vida, pois com muita luta, ele o fez. O homem lutou, e venceu. Suas dores, superou. Sua vida, fez andar, e assim, voltou a caminhar no tempo. Já havia esperança naquela vida, naqueles novos dias, e um objetivo bem traçado para que a felicidade fosse alcançada. Mas o tempo, como já foi dito anteriormente, para aquele homem era curto, muito curto. Os dias então se passavam com o piscar de um olho, e a vida passou a se esvair a cada respiração dada por ele. Não entendia o porque disso tudo, mas só podia perceber que tudo corria contra ele. Agora que ele precisava de tempo para viver sua nova vida, o próprio se privava de dar ao homem aquilo que ele tanto precisava. E assim, o homem odiava. E viva para odiar o tempo.
E por algum tempo, ele odiou, pois o tempo parecia odiar-lo também, pois tirava tudo o que ele tentava conquistar, esvaindo todas as coisas que ele tanto desejava diante sua misteriosa mas muito poderosa força, que fazia com que todos os homens se tornassem iguais diante dela. E então, o homem veio descobrir que o tempo poderia agir a favor dele, e esse mesmo tempo fez ele aprender sobre o tempo, e sobre si mesmo. Depois de tanto lutanr, ele decidiu aceitar, e com isso, passou a entender. E por mais que o tempo tivesse passado, e as horas em que ele se encontrasse fosse demasiadamente tarde, o homem percebeu que o tempo era apenas algo que estava dentro dele, dentro de sua mente. E a partir desse momento, ele passou a caminhar lado a lado com o tempo, e assim, o homem, aprendeu a viver. Podia ser tarde o tempo em que ele chegou a esse ponto, mas agora isso era irrelevante, pois o tempo não era mais seu inimigo, e sim um companheiro de viajem, e os momentos que se sucederam até o fim de seu tempo, foram simplesmente completos.

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